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Taxa de inadimplência condominial preocupa em Porto Alegre

27/11/2025

Segundo o Secovi-RS, índice foi de 15,54% em Porto Alegre no mês de setembro 

 

 

A taxa de inadimplência condominial em Porto Alegre atingiu no mês de setembro seu segundo menor patamar no ano, a 15,54%, segundo levantamento feito pelo Sindicato da Habitação e Condomínios do Rio Grande do Sul (Secovi-RS). No entanto, na avaliação do presidente do Secovi-RS, Moacyr Schukster, o cenário ainda é preocupante.

 

“Quando um condômino deixa de pagar sua conta, os outros têm que contribuir para fechar o caixa. Isso desorganiza o orçamento do condomínio e, em muitos casos, impede de fazer os consertos e as melhorias necessárias. Por isso, a pontualidade condominial é fundamental para que o condomínio funcione como foi planejado para funcionar”, explica Schukster.

 

Como um dos motivos para a inadimplência na Capital, o presidente do Secovi-RS destaca que muitos condôminos aproveitam o período de tolerância de 90 dias permitido para fazer a quitação do pagamento antes que seja aberta uma ação judicial. Este cenário se reflete na pesquisa citada anteriormente, que mostra que, em setembro, 8,74% dos condôminos inadimplentes, ou seja, mais da metade, estavam nesta situação há mais de 60 dias. “Quando existe a possibilidade concreta de ser feita uma cobrança na justiça e o condômino perder o imóvel, ele vai pagar o valor da multa”, comenta.

 

Dentre os condôminos inadimplentes consultados pelo levantamento do Secovi-RS em setembro, apenas 2,30% haviam sido acionados na justiça, o que equivale a 306 pessoas. De acordo com Schukster, o número está dentro da normalidade, mas, se apresentar aumento nos próximos meses, poderá ser um problema para o setor.

 

Para o diretor de condomínios da Auxiliadora Predial, Eduardo Difini, outro motivo que explica a situação de inadimplência de muitos condôminos é a priorização do pagamento de contas com juros maiores, como é o caso do cartão de crédito. “Os juros por atraso da cota condominial são mais baixos do que os de outras despesas. Por causa disso, o condômino acaba priorizando pagar as contas com os juros mais altos, como no caso do financiamento de carro, da casa própria e do cartão de crédito”, explica.

 

Difini acredita que o número de condôminos inadimplentes em Porto Alegre também é influenciado pelo cenário econômico do Brasil. “Existe no País uma soma de fatores que colocam o brasileiro na condição de inadimplente, não só em condomínios, mas em todos os segmentos. A falta de educação financeira, a alta da inflação e a dificuldade de acesso a crédito devido ao nível da Taxa Selic contribuem para esse cenário”, comenta.

 

No caso da Auxiliadora Predial, a taxa de inadimplência entre os condôminos é de 3,2%, bem menor que a da Capital. Segundo Difini, o desempenho positivo é resultado, em primeiro lugar, de um exercício de revisão orçamentária feito pela imobiliária com seus clientes, mas também do trabalho de uma equipe de recuperação de crédito, que monitora, junto aos clientes, o vencimento de cada boleto do valor do condomínio. 

 

Além disso, o diretor da Auxiliadora destaca que a imobiliária pode, em alguns casos, cobrir a dívida do condômino, para evitar que o condomínio tenha prejuízo. “Entramos em contato com o condomínio e compramos a dívida, que passa a ser da Auxiliadora. Assim, o condomínio fica com zero dívida. Depois, atuamos com cobrança nesses clientes endividados. Esse processo reduz muito a inadimplência”, finaliza Difini.

 

 

 

Fonte: Jornal do Comércio